Duas sugestões para Dilma

1 - Quebrar o silêncio retumbante sobre as questões e planos de seu possível governo para o meio ambiente, a sustentabilidade e a saúde ambiental de seus projetos, iniciando diálogo e explicitando intenções, ações e compromissos com os setores sociais diretamente envolvidos e ativos nesta área.

2 - Apresentar propostas de ações governamentais nítidas, que tornem bastante perceptível seu apreço pela vida humana gestada, bem como pela vida gestante, e que desestimulem a prática do crime de aborto, através da valorização efetiva pelo Estado e pela sociedade civil, fomentada por este, à vida iniciadora e à principiante.

Comentários

Dilma é uma desenvolvimentista e foi ela a razão direta de Marina ter saído do ministério de Lula. Acho que dificilmente Marina apoiará Dilma. Acho.

Quanto ao aborto é lamentável que o Brasil ainda continue no rol dos países subdesenvolvidos que não adotaram essa prática. Basta olhar o mapa mundi para ver que todos os países que discriminalizaram o aborto são socialmente desenvolvidos. Essa discussão sobre o aborto no Brasil é a demonstração cabal de que somos ainda um país feudal dominado pelo atraso religioso.
Concordo plena e totalmente com o primeiro ítem. Mais ou menos com o segundo, porque está muito etéreo e intelectual.
Jean Scharlau disse…
Maia, a minha sugestão não objetiva satisfazer Marina, mas aos milhões que votaram nela e no que ela representa ou anuncia representar.

O aborto e sua descriminalização ou não, não é somente tema religioso e de saúde pública no sentido estrito da gestante; é um tema ético, filosófico, sociológico, político, histórico, psicossocial, antropológico e muito mais. Sobre isso direi aqui três coisas.

1 - O feto é um ser humano sendo gestado ou é merda? Se for merda é passível da livre "evacuação uterina". Se é um ser humano em gestação deve ser assistido por todos os direitos que assistem aos seres humanos.

2 - Considerando que o feto seja um ser humano em gestação, portanto assistido pelos direitos fundamentais atinentes aos seres humanos, matá-lo é crime e não um procedimento de higienização voluntária da mulher a ser assistido e provido pelo Estado.

3 - Legalizar um tipo de crime contra a vida abona os outros tipos. Se for permitido matar, consciente, voluntária e legalmente, seres humanos em gestação (pelo incômodo que virão a causar!), é permitido matar todos e quaisquer outros seres humanos (e pelo mesmo motivo), como aliás temos visto fazerem os estados "socialmente desenvolvidos" que mencionaste.
Não vamos ser moralistas ao extremo, porque a ciência ( e acredito muito mais nela do que a religião) já provou que embrião de três meses não tem vida cerebral. Se assim fosse os outros paises muito mais desenvolvidos do que o Brasil criminalizariam o aborto, mas isso não ocorre. Até mesmo países católicos como Itália, Espanha e Portugal o aborto pode ser feito em clínicas públicas. Uma pena que Dilma e Serra estejam sendo tão hipócritas nesta campanha de olho nos reaça da Igreja Universal e Católica.
Jean Scharlau disse…
Nem moralistas nem imoralistas ao extremo, Maia. E porque insistes em rotular de religiosa a oposição ao aborto livre? Repito: são muito mais amplas as bases para oposição a isto. Países desenvolvidos invadiram matando milhões, na África, no Oriente Médio, na Ásia, nas Américas e recentemente no Iraque, no Afeganistão, na Palestina. Devemos imitá-los nisto também?
Roy Frenkiel disse…
A segunda e mais uma de paises totalitarios. Excelente conselho pra quem ama ditaduras ;-)

abrax

RF
Roy Frenkiel disse…
Gostaria de saber, Jean, quais bases que nao religiosas voce tem para ser contra o aborto? A ultima vez voce me disse que era contra porque repudiava o ato, achava nojento, "tinha pedacinho de gente" na parada. Quem tem a autoridade dessa resposta na filosofia secular etica ou na ciencia? Gostaria muito de saber qual e essa base nao-religiosa que eu nunca encontrei nem ouvi nem li pessoa alguma argumentar.

Abraxao

RF
Omar disse…
Essa questão do aborto serviu de mote para trazer a tona a extrema direita religios, que se encontrava em estado de hibernação.
Pelo menos agora sabemos mais claramente onde estão.
Jean Scharlau disse…
Roy, não consegui identificar a que se refere teu primeiro comentário.

A base religiosa para oposição ao aborto são os mandamentos "Não matarás" e "ama ao próximo", entre outros. A base religiosa contra o roubo são os mandamentos "Não furtarás" e "ama ao próximo", entre outros.

Consegues ver alguma outra razão que não religiosa para não roubar?

Pois eu vejo dezenas de razões não religiosas para não matar.
Jean Scharlau disse…
Omar, isto que disseste também é fato, porém tem muitas coisas que essa extrema direita fala que não encontra ressonância no sentimento da população, seja de esquerda ou de direita, religiosa ou não. O problema do aborto sempre será candente para o sentimento humano pois, a nível basilar, o aborto contraria e fere dois instintos, o de reprodução e o instinto de preservação da espécie. (Aí, Roy, dois poderosos motivos não religiosos de oposição ao aborto.) Há uma grande e interessada audiência, portanto, que não pode ser reduzida ao âmbito religioso ou seccionada politicamente. Agora, se só a extrema direita se manifestar, só ela se fará ouvir.
Omar disse…
Enquanto isso mulheres ricas fazem abordo em clínicas altamente equipadas, amparadas por profissionais preparados; mulheres de classe média fazem aborto que clínicas mais ou menos e mulheres pobres fazem do jeito que dá, algumas utilizando agulha de tricô. E isso não pode continuar assim.
Isso ai, Omar, você disse tudo. As grandes vítimas dessa hipocrisia de criminalizar o aborto são as mulheres da população de baixa renda. E isso tem de mudar.