17.12.11

Macaco velho na Árvore da vida

O macaco aqui acha que já não mete a mão em qualquer cumbuca. Isto porque se criou em Sapucaia do Sul, que é um município da Grande Porto Alegre e sapucaia é a árvore que produz cumbuca. Num sábado desses o macaco foi ao cinema, na Casa de Cultura Mario Quintana, e postou-se confortavelmente diante desse filme com nome de Árvore da vida. O macaco não gostou daquela árvore. Ele acha que o velhinho que a plantou estava perplexo com a perspectiva e ocupado com o entendimento da própria morte – são ocupações dignas e necessárias para as pessoas a partir dos 45 anos de idade, talvez até antes, mas a forma como ele a mostrou é que desagradou o símio.

O macaco achou-a uma árvore triste e enfadonha, com poucos galhos e folhas, um tipo de eucalipto, mas com tronco e galhos finos, que não suportariam seu peso em manobras e saltos – até um cochilo ele tirou enquanto a árvore era mostrada por aqui e por ali. Saiu do cinema achando que o velhinho ficou tão impressionado com mensagens em power point recebidas pela Internet que resolveu fazer algo semelhante em um veículo que ele manja e que, por ser cotado no meio, conseguiu dinheiro, atores famosos e competentes, bons técnicos e a coisa toda foi ficando grandiloq... comprida. Tem umas cenas bonitas, evocativas da tenra infância, que fizeram o macaco lembrar de quando aprendia e brincava em sua Sapucaia. No mais foi uma sucessão de bocejos e ajeitar-se na cadeira que não dava boa posição para puxar uma torinha.
A imensa sequência de imagens-clichê tipo PPS não veio acompanhada das mensagens costumeiras, mas de perguntas possivelmente suscitadas por elas. Um nome mais adequado para o filme, considerando aquele dado pelo autor, talvez fosse 'A árvore da outra vida'. Como, porém, macac@s amig@s gostaram do filme, estas podem ser só impressões de um que precisa urgentemente evoluir.

9.12.11

Os colonos do novo mundo

Primeiro ouvimos as promessas, avidamente,
e logo descobrimos o consumo:
– Ah, a vida é maravilhosa!

Depois se descobre a conta
e os nossos parcos limites.

Aí descobrimos a dívida
e os juros da agiotagem mafiosa
(sim, estou falando das financeiras e cartões de crédito, dos bancos,
empreiteiras, conglomerados industriais, comerciais, fundos de pensão,
pois todos, afinal, um só poder é que são: o do capital).

Percebemos a conivente subserviência dos governantes,
dos nossos eleitos representantes,
da elite dos funcionários públicos, da mídia,
dos jornalistas do lado de lá do balcão.

Notamos as absurdas perdas sociais,
educacionais, evolutivas, ambientais e então,
tristemente,
notamos enfim nossa própria conivência,
nosso próprio vício, cooptação
e besta orgulho, ignorante de tantas fraquezas...

E só não desabamos,
porque já estamos no chão.