31.12.10

leitor@s deste pequeno blog sem faxineira

Que todos tenhamos um 2011 'como nunca antes neste país'!

E um champã pra acompanhar, sempre que possível.

30.12.10

17.12.10

Vossexcelências, justíssimos, querem distância do povo

Vossexcelências, justíssimos, querem distância do povo, dos problemas do povo – que são... DO POVO, não vossos. Povo é bom para carnaval, sexo casual, eleição... E trabalho, claro. No mais do tempo é a elite que vos faz boa, instrutiva e útil companhia, que vos ampara a aplicar bem vosso dinheiro, que possui e compartilha bom gosto e, fato notório e noticiado, até cheira melhor. Vossexcelências preferíeis – e merecíeis, sem sombra, merecíeis - ganhar como astros de rock, de futebol, de cinema e TV mas, magnânimos, aceitastes 26 mil livres por mês para fazer uma média com o povo aquele, do qual ora fazemos parte (desculpai).

Há quem diga que Vossexcelências são excelentes é em encher o próprio farnel e entupir as próprias burras. Nós não fazemos juízo, pois há muito se sabe que para fazer juízo é preciso ser rico, como souberam fazer-se os juízes. Vossexcelências sacrificaram ao máximo vossas próprias expensas antes de concluir que para bem legislar também é, obviamente, preciso ser rico, sendo que enfim sabiamente legislastes para fazer-vos oficialmente ricos. Com o aumento de ganhos e rendas com que Vossexcelências se congressaram, digo congraçaram, agora podereis folgadamente adquirir mais dez escravos ao custo de mil cada, já com os encargos, caso seja isto do vosso agrado, ou podereis ir todos os meses aos cassinos de Montecarlo, se isto melhor vos aprouver. Isto demonstra à plebe que alcançastes vosso intento e mister, que sois ricos de fato e agora sim, caso tiverdes um tempinho, entre a terça e a quinta-feira, se não estiverdes em Miami, Vegas, Punta, podereis, quem sabe, legislar de novo. Sem que vos canseis, é claro, e se não lhes for incômodo.

Nós, aqui, do povo (desculpai), vos agradecemos esta atenção e, se não for pedir demasiado, gostaríamos de enviar-vos notícias de como andamos - através dos jornais e da televisão, para que não vos sejamos por demais maçantes e pesados – e assim, vendo-nos em um panorama geral oferecido por esses meios, possais, quem sabe, lembrar-vos de nós e de nossas necessidades aqui neste mundo tão difícil e sujeito a tribulações. Gratíssimos, gratíssimos...

Vossexcelências, se nos permitirdes, nos retiraremos, parabenizando-vos e congratulando-vos. Aceitai nossas humildes reverências. Gratíssimos... Gratíssimos... Gratísimos...

(Carlo Buzzatti - Pança Pre$$)

13.12.10

Um dia eles vêm e explodem teu jardim, teu cachorro, tu e tua família. E já não haverá ninguém além deles.


Um dia eles foram lá e mataram os palestinos. Eu calei-me, porque, afinal, eu não sou palestino. Eles então foram e mataram os afegãos. Eu permaneci calado, porque, afinal, eu não sou afegão. Quando eles mataram os iraquianos , eu não protestei, porque, pô, eu não sou iraquiano. Agora, que se preparam para matar os iranianos, eu não ofereço resistência, porque, caramba, eu não sou iraniano... Quando vierem me matar... - Ei! Haverá alguém aí para resistir comigo?

A partir do célebre poema do pastor alemão Martin Niemöller, “E Não Sobrou Ninguém”, sobre o Nazismo na Alemanha:

"Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse"
Leia sobre Martin Niemöller, na Wikipedia.
O título deste post escrevi a partir dos fatos e do poema "No caminho com Maiakóvski" de Eduardo Alves da Costa.

12.12.10

Julian Assange não gritou: - O Imperador está nu!

Não foi isso que fez os podreres do império quererem seu escalpo. A nudez do imperador é assunto velho há muito tempo e as narrativas sobre a nudez imperial já são tradicionais e mesmo enfadonhas. Julian Assange incomodou o podrer imperial porque mostrou as fotos. E nas fotos aparece também (e incomoda mais que a do imperador - oh, escândalo!) a nudez da corte! A barriguda e pelancuda corte não gostou de ser mostrada assim, sem tempo de preparar-se, maquiar-se, sem a mínima produção, sem sequer aviso, que a mídia gorda sempre lhe proporcionou.

É a corte agora, muito mais que o imperador, quem persegue Assange, porque a nudez mostra o quanto a corte é abominável e desprezível. Essa corte tenta justificar seus gordos proventos fazendo crer ao imperador e aos súditos que é útil. Seus membros (e outros órgãos) são na verdade incapazes de produzir qualquer coisa de útil, portanto precisam enganar: produzem conspirações, para justificarem-se como anti-conspiradores. Produzem informes, para justificarem-se como contra-informantes. Comportam-se como o protagonista do livro “Nosso homem em Havana”. O segredo de todos eles é darem-se muito mais importância do que têm, para assim fazer crer ao império que são necessários.

Todo esse bafafá e fúria do podrer contra Assange é porque, expostos assim, tão francamente revelada sua inutilidade, perniciosidade e ridículo, os membros (e outros órgãos) da corte poderão vir, a longo prazo, a perder a opulência com caviar e champã e - horror dos horrores - terem até, alguns deles, que trabalhar.

O imperador, secretamente (se é que isto ainda é possível no império), deve amar Julian Assange e exultar com a maravilha que fez o Wikileaks, ao mostrar que ele não é o único peladão no baile.

Divirta-se também, mesmo não sendo imperador, lendo Santayana e Umberto Eco.
Dica do Gilmar Crestani no blog Ficha Corrida.